Definição e Localização
O Velho-Airão é uma das mais famosas “cidades-fantasmas” do Brasil, representando um testemunho físico da riqueza e eventual queda do Ciclo da Borracha na Amazônia. A cidade está situada no estado do Amazonas, às margens do Rio Negro, a cerca de 180 a 250 km de distância de Manaus.
Além disso, em torno das ruínas , gravados em rochas nas margens do Rio Negro, podem ser encontradas figuras humanas e geométricas feitas por povos antigos há milhares de anos, os famosos: Petroglifos do Velho-Airão, importantes registros arqueológicos pré-colombianos presentes no local.
História e Formação
O povoado foi estabelecido em 1694 por jesuítas e colonos portugueses, inicialmente sob o nome de Santo Elias do Jaú, e se tornou um dos primeiros centros de colonização da área. O Velho-Airão alcançou seu auge entre o final do século XIX e o começo do século XX, servindo como um ponto chave para a coleta e distribuição de látex (“Ouro Branco”). O acentuado declínio começou nas décadas de 1910 e 1920, quando a competitividade do látex brasileiro diminuiu diante da produção asiática, resultando na migração dos habitantes e no abandono total do local em 1985.
Estruturas e Elementos
Durante o período de prosperidade, a cidade foi ornamentada com a construção de edifícios e residências de arquitetura grandiosa, frequentemente utilizando materiais de alta qualidade como telhas e azulejos trazidos de Portugal. No presente, a cidade está composta por ruínas – incluindo a Igreja, a Câmara Municipal e grandes casas – que estão sendo lentamente consumidas pela vegetação. O local também é cercado por histórias populares que tentam explicar o abandono, como a infestação de “formigas de fogo” e lendas sobre fantasmas.
Importância e Estado Atual
O Velho-Airão atua como um museu ao ar livre, representando uma evidência concreta da economia, arquitetura e cultura durante o Ciclo da Borracha. Por sua importância na memória histórica do Amazonas, suas ruínas foram oficialmente tombadas pelo IPHAN em 2005. A história do lugar inclui o notável eremita nipo-brasileiro Shigeru Nakayama, que por muitos anos foi um guardião não oficial, protegendo o patrimônio contra o vandalismo.